Durante
a Idade Média, as pessoas viajavam em peregrinações
a lugares santos na esperança de cura de uma enfermidade ou como
alternativa a uma prisão, ou ainda porque a Igreja Católica
prometia salvação para as almas dos peregrinos. Muitas
igrejas guardavam relíquias de santos. Acreditava-se que elas
possuíam milagrosos poderes curativos. Para acomodar os peregrinos,
que representavam uma enorme fonte de receita, os arquitetos projetaram
uma planta básica que criava um corredor contínuo em torno
da periferia da igreja. Os visitantes podiam caminhar, sem atrair atenções,
admirando a estrutura da igreja, visitando as relíquias que podiam
ser expostos em pequenas capelas localizadas nessas naves laterais e
no deambulatório, enquanto as missas desenrolavam na nave central.
O papel
das outras artes era muito importante nesse período. Numa época
em que muito poucas pessoas sabiam ler ou escrever, a igreja recorria
substancialmente às pinturas e às esculturas para comunicar-se
com os seus membros. Os interiores das igrejas exibiam freqüentemente
pinturas de cenas religiosas nas paredes e nas abóbadas. Como
acontece na maioria das representações românicas
de eventos religiosos, a composição é muito simétrica.
Mas o achatamento e o encurtamento arbitrários das figuras dos
apóstolos, de modo a ajustá-las claramente ao lintel,
indicam uma nova atitude por parte do artista. Ele parece preocupar-se
menos com as proporções idealmente belas do que com a
apresentação concisa de uma história dentro do
espaço disponível. Ex.: Ascensão de Cristo, tímpano
da Porta Miègeville, basílica de Saint-Sernin, em Toulouse.
No que
tange às asas, quanto mais baixo era o nível social do
proprietário, menos provável seria que as construções
permanecessem de pé. Podemos entanto ter uma idéia do
aspecto das casas dos camponeses medievais de, pelo menos, uma região
da Europa examinando alguns casebres de pedra na Galizia, norte da Espanha.
O traçado dessa pallozas remonta aos tempos célticos.
Cada palloza é normalmente retangular, mas com os cantos arredondados
tendo a estrutura em pedra assentada sem argamassa e coberta por um
telhado cônico. São construídas próximas
ao chão, de modo a conservar o calor, pois se trata de uma região
fria. Eram divididas ao meio por um tabique de madeira. A aspereza do
clima também requeria janelas exíguas para entrada de
luz e ar.
Algumas
poucas casas românicas remanescentes em centros urbanos sugerem
como vivia a população citadina no séc XII. A princípio
a casa poderiam funcionar como loja no primeiro pavimento e como residência
no segundo pavimento. Os balcões eram assentados sobre cavaletes
e ao fim do dia retirados para se fechar a loja.
O período
românico foi de transição. Os templos pediam mais
luz, maiores proporções e mais inspiração.
A tradição românica não falava a favor de
grandes alturas e nem de paredes delgadas, vazada por grandes aberturas,
uma vez que se apoiavam em um sistema de arcos a abóbadas solicitadas
a violentíssimos esforços. Era necessário substituir
ou aperfeiçoar aqueles dois elementos medulares, que eram o arco
e a abóbada, que foi finalmente conseguido escorando-se lateralmente
o arco por outro arco (arco botante) e reforçando-se as arestas
das abóbadas com nervuras, que na realidade passam a suportar
todo o peso da cobertura. Estas nervuras descarregam em vários
pilares ou colunas finas que rodeavam uma mais larga, que suportava
maior carga, resultando na esbeltez dos feixes góticos de varas
de pedra.