A pouca
distância da Catedral, o maior de todos os cenários estava
sendo construído durante esses mesmos anos: a Piazza della Signoria.
O Palazzo Vecchio, sede da municipalidade, tinha sido concluido em 1314.
A praça a ele fronteira obtida pela demolição de
imóveis foi pavimentada em 1330. Foi palco de discursos, recepções
de autoridades eclesiásticas, embaixadores, espetáculos,
cortejos cívicos, cerimonias governamentais, carnavais, etc.
Estes cenários,
ruas e praças, resultado de um longo período de planejamento
urbano, tiveram seu efeito sobre os artista do século XV, que
tentavam refleti-los em seus painéis e afrescos.
Pretendia-se
restabelecer a concepção estática de forma, da
arquitetura greco-romana. Hipertrofia da preocupação plástica,
a ponto de sobrepor totalmente o caráter orgânico-funcional
da arquitetura.
"A
arquitetura sacrifica tudo ao exterior, a magnificência do primeiro
olhar, não levando em conta as necessidades que deveria satisfazer;
ela nada afirma em suas formas exteriores, que possa relacionar-se com
as exigências materiais da vida. As fachadas são por assim
dizer, concebidas a priori fora da desatinação do edifício
e em desacordo mais freqüente com a distribuição
interior." Gauthier.
O humanismo
libera e individualiza o homem que, elevado e estimulado, se sente mais
criador do que nunca. Embora se inspirassem nas formas greco-romanas,
os cânones clássicos são substituídos por
uma ação de independência e liberdade, que haveria
mais tarde de exibir-se em toda a plenitude, na eclosão do barroco.
A liberdade
ampla de poder pensar e olhar em qualquer direção e a
liberdade que presidira mais tarde às iniciativas plásticas
barrocas, não obstante a disciplina rígida da Contra-Reforma
dará resultados que podem ser vistos no sucesso da geometria
do espaço, empolgando matemáticos; o homem tenta se despregar
de seu psiquismo, resíduos dos velhos tempos em que se entregava
às práticas mágicas e aos sanguinolentos rituais
megalíticos, que ferreteavam as profundezas do seu inconsciente
com a idéia de símbolo. Ocorre uma aplicação
de novas formas geométricas: elipse, parábola e a espiral.
"Pietro
de Cortona introduz e elipse no peristilo de Santa Maria della Pace.
Borromini perfila em elipse todo o pátio interior da Sapienza,
faz alternar em paredes convexas e côncavas a torre de San Andrea
della Frate, coroa de uma espiral helicoidal aquela de Sapienza: é
com a primeira vaga ao estilo barroco, a realização do
paralelismo imaginado por Spengler entre as matemáticas e a arquitetura
de uma época, a invasão da cinemática, da astronomia
kepleriana, desde a geometria analítica no domínio da
morfologia estética. Mais do que a elipse, a espiral fica especialmente
na moda; os arquitetos aqui se adiantam mesmo aos geômetras; as
abas do Gesu, onde os ramos de ciclóide dispostos em curva de
queda rápida, terminam em volutas de moluscos".
Muito dessas
formas novas, ainda presas ao barroco, atravessaram o oceano, como por
exemplo a elipse, para modelar as plantas das igrejas no Brasil.
A Renascença
nada produziu em matéria de processos construtivos novos, onde
o gótico havia explorado ao máximo todas as combinações
estáticas possíveis na esfera da arquitetura. Além
do mais a própria unilateralidade de sua índole eminentemente
plástica, repeliria qualquer movimento disciplinador mesmo que
se apoiasse em um possível organicismo formal. No entanto é
ainda um elemento visceralmente estático: a cúpula - marca
o início e o término deste período de ouro. A arquitetura
Renascentista começa com o levantamento da cúpula da Catedral
de Florença, mais conhecida como Igreja Santa Maria del Fiore,
para terminar com a construção da cúpula romana
da basílica de São Pedro no Vaticano. O primeiro período
renascentista na Itália, abrange todo o século XV, tendo
Florença e Veneza como principais centros de irradiação.
O segundo compreende toda a metade posterior do século XVI e
o terceiro alcança os fins deste mesmo século e é
marcado pelos dois maiores gênios da época: Michelangelo
e Paladio. Dentre alguns personagens podemos citar: Brunelleschi: construiu
a cúpula da Basílica de Santa Maria del Fiore. A cúpula
atinge oitenta e quatro metros de altura por quarenta de diâmetro.
Tinha um grande vigor e poliformia inédita, profundo humanista;
Alberti, florentino (poeta e músico), Fra Giocondo, arquiteto
dominicano, constrói o Conselho de Verona, mármore colorido
e belas proporções; Bramante - nascido em Urbino (assim
como Rafael), dá início à basílica de São
Pedro com 70 anos de idade; San Gallo (engenheiro militar), Peruzzi
(pintor) e Rafael (arquiteto e pintor)- construção de
palácios; Leonardo da Vince ( mecânico, químico,
pintor, escultor e músico); Sansovino (escultor); Michelangelo
- dominou integralmente todas as artes.
A Basílica
de São Pedro foi construída nos alvores do cristianismo,
e foi ameaçada em fins do século XV pelo Papa Nicolas
V e por Alberti que pretendiam transforma-la em moderno monumento renascentista.
O Papa Júlio II institui um concurso privado para a remodelação
da basílica. Bramante sai vitorioso com suas idéias gigantescas.
Foi substituído por Rafael depois de morto e ainda por Michelangelo.
Outro vulto da arquitetura, já no final do renascimento foi Vignola,
que elaborou a planta do Gesú, Igreja da Companhia de Jesus,
que estava talhada a ser o balizamento inicial da arquitetura dita dos
jesuítas que mais tarde viria ao Brasil. Na França, a
arquitetura renascentista adquire seu caráter genuíno
com Francisco I, de 1515 a 1547, continuando até 1590 com Henrique
II. O primeiro período se caracteriza pela construção
de castelos como os de Loire e em Íle de France, escola de Fontenebleau.
Fora os castelos, seguem-se o pátio do Louvre, o jardim de Luxemburgo
e as Tulleries. Chegado o século XVII, surge uma reação
contra o academismo renascentista, reação que floresce
com um novo espírito: o Barroco.