Revolução Industrial - CONTEXTOS - clique
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estrutura da aula:
. conceito
moderno de progresso e suas implicações
. infra-estrutura e redes comerciais
. sistemas de comunicação e mudança na percepção
de mundo
. materiais novos
. técnicas construtivas
. processos produtivos: sistema Total, Ciclo Aberto e Fechado
. estruturas pneumáticas
. estruturas geodésicas
. tecnologia no espaço doméstico
Transformações Técnicas: engenharia estrutural,
1775-1939
Conceito
de Progresso:
Nascimento
de ideais progressistas nos fins do séc XVIII gerou uma perda
na confiança na tradição renascentista e nas teorias
que a suportavam, o idealismo. O desenvolvimento de novos materiais
e métodos de construção permitiam novas soluções,
criavam novos padrões e problemas e sugeriam novas formas.
Em um nível
mais profundo a industrialização transformou os padrões
de vida e levou a proliferação de novos edifícios:
estações de trem, casas suburbanas, arranha-céus,
para os quais não havia precedentes. A industrialização
também gerou novas estruturas econômicas e centros de poder.
Desloca a patronagem da arquitetura da igreja, estado e aristocracia
para as aspirações da nova classe media. Outro aspecto
do mito progressista por trás da concepção da arquitetura
era a crença em uma sociedade justa e racional. Além disso,
as correntes de pensamento arquitetônico estavam preocupadas com
a possibilidade de se criar formas que não fossem pastiches de
estilos passados, mas expressões genuínas do presente.
A noção de arquitetura moderna implicava em uma série
de diferentes atitudes quanto à gênese da forma.
Progresso
era, no séc XIX, uma importante ferramenta ideológica
nas mãos dos políticos, reformadores sociais e industriais.
Chegou a superar a própria religião como um sistema de
valores. Marx chamou a religião do ópio do povo, mas nunca
qualificou sua crença no progresso da mesma forma. O progresso
era sinônimo de novo e bom, maior e melhor: um desejo de vitória
sobre as forças conservadoras da natureza, um processo natural
aquém da evolução da vida.
Em 1909,
Walter Gropius já se preocuparia com a pré-fabricação
na arquitetura. Mas ele jamais levaria em conta uma industrialização
total como a dos veículos, preferindo satisfazer as necessidades
de um público variado. Pensava na industrialização
dos elementos constitutivos da edificação.
"A
idéia de uma industrialização da construção
das casas não pode se realizar sem que cada projeto utilize os
mesmos elementos construtivos, de maneira a permitir uma fabricação
em série que seja rentável e menos custosa para o uso.
É justamente a variedade entre os elementos que permitem satisfazer
o desejo público: dar à casa um aspecto pessoal".
Em 1927
podemos encontrar uma casa individual pré-fabricada com estrutura
metálica leve, montada à seco na Exposição
do Werkbund em Stuttgart. No período de 1943 a 1945, Gropius
fabricou nos EUA, juntamente com Wachsmann, o "Sistema Empacotado
de casas" que permitia a ampliação ou a redução
das casas.
Elementos
repetitivos e conexões estandardizadas caracterizavam uma aproximação
sistemática do design, que implicava hierarquia na organização
dos componentes mais do que formas compositivas.
INFRA-
ESTRUTURA
O grande
desenvolvimento das indústrias vai demandar espaços mais
amplos e a prova de fogo. A madeira vai ser paulatinamente substituída
pelo ferro na construção desses galpões. Em vários
países da Europa a ênfase na utilização e
no desenvolvimento do ferro vão gerar tratados e estudos dedicados
a esse tipo de material. Um desses centros era a École Polytechnique,
que evoluiu os conceitos de sistemas modulares, tentando estabelecer
uma conexão entre a utilização de formas clássicas
associada à versatilidade aplicada frente às exigências
sociais.
Os primeiros
grandes recintos permanentes fechados foram as estações
ferroviárias construídas na segunda metade do século
XIX. Não existiam ainda modelos definidos para as novas estações
de trem. Por isso, elas se apresentavam, de certa forma, desconectadas
dos edifícios existentes, o que gerava uma preocupação
dos projetistas, pois elas eram a porta de entrada das cidades.
O fato
da arquitetura metálica se desenvolver mais na Inglaterra, França,
Bélgica e Alemanha é devido ao fato desses países
serem grandes produtores de ferro. O progresso das técnicas será
envolvido pelo espírito de economia de material. As estruturas
ficarão cada vez mais delicadas, mais transparentes e de nova
beleza em função das pressões econômicas.
O telegrafo
mudou a percepção e compreensão de mundo. A construção
e instalação de um cabo telegráfico transcontinental
(1866) diminuiu a sensação de distância e ampliou
a percepção geográfica. Início das transmissões
live: "as distâncias estão para serem medidas por
intervalos, não de espaço, mas de tempo".
A locomotiva
definiu seu importante papel na sociedade industrial como veículo
de deslocamento de pessoas e mercadorias e, conseqüentemente, o
uso do ferro nos trilhos (1820). O trilho vai ser a primeira unidade
de construção.
As ferrovias
modificaram o meio ambiente existente (um ambiente denso europeu, com
os paises bem definidos). Por onde elas se estendiam, semeavam novas
estruturas de serviço: portos maiores e mais complexos, pontes
galerias de exposição de feiras, estoques, bancos de finanças
e outros tipos de edificações interdependentes. A ferrovias
estabeleceu novas formas de conexões envolvendo a velocidade
e baseando-se no lucro. Com a sua disseminação, a população
urbanizada se tornou móvel. Forçou a racionalização
da construção. Produção industrial se move
para a cidade e amplia a dependência do campo e os fenômenos
migratórios. Industriais estavam livres das tradições
feudais e de suas obrigações sociais.
A difusão
das estradas de ferro fez com que grande parte dos materiais ferroviária
se integrasse ao vocabulário geral da construção,
além de serem os únicos materiais incombustíveis
disponíveis para a construção dos armazéns
de vários pisos que a produção industrial exigia.
MATERIAIS
MAIS UTILIZADOS:
FERRO
Quanto
à aplicabilidade do material, o ferro só era aplicado
como elemento complementar nas edificações: correntes,
tirantes ou anéis, armaduras. Transmitia estabilidade, era à
prova de fogo e encontrou novas aplicações: grades, peitoris,
escadas metálicas, divisões e decorações.
Depois da segunda metade do século XVIII teremos uma produção
em larga escala de ferro fundido e a substituição dos
pilares de madeira. Quanto à sua funcionalidade, venciam vãos
maiores e eram incombustíveis. Os arquitetos Boulton e Watt desenvolveram
na Inglaterra construções industriais que marcaram uma
nova etapa no uso do ferro e serviram como modelo.
O ferro,
um material de construção artificial, sofreu uma série
de evoluções, tanto em sua maneira de aplicação
quanto em sua estrutura física molecular que dá origem
aos mais diversos tipos de aço na atualidade.
O sistema
dos elos chatos de ferro forjado (Samuel Brown - patenteado em 1817),
foi ao poucos sendo substituído pelo uso do cabo trefilado. O
cabo de aço foi amplamente difundido na construção
de estruturas suspensas, utilizando-se do fio trefilado. Os processos
de fabricação in loco (trança espiral) foram desenvolvidos
a partir da substituição dos elementos de suspensão
em barras de ferro.
A grande
evolução do ferro se deu nas pontes (ex: Ponte do Brooklin,
em NY, de Vicat - 1883 - vão de 487m). Durante o final do séc.
XIX, elas foram responsáveis pelo aparecimento de cordas e fios
treliçados.
O ferro
era evitado nas moradias, mas utilizado em galerias, salões de
exposição, estações ferroviárias
e edifícios com finalidades transitórias. O uso da energia
a vapor vai fazer com que a técnica metalúrgica se desenvolva
viabilizar a sua utilização. James Watt e Abraham Darby
serão os responsáveis por esse desenvolvimento, junto
com John Wihinson, mestre metalúrgico. A Inglaterra vai ser o
local onde se dá o maior número de atividades ligadas
à utilização do ferro durante o final do século
XVIII e início do século XIX.
O arquiteto
Abraham T. F. Pritchard vai construir a primeira ponte em ferro fundido,
com 30,5 metros de vão em Coalbrookdale, na Inglaterra. Outro
estudioso do assunto, Thomas Pope difunde em 1811 o Tratado de Arquitetura
de Pontes, envolvendo construções suspensas em ferro.
Um grande esforço foi realizado no sentido de aprimoramento das
vigas de ferro utilizadas. Esses esforços estavam concentrados
na Inglaterra. A seção do ferro evolui até ser
definido o perfil I como o padrão tanto para os trilhos quanto
para as vigas. Os engenheiros experimentavam vários meios de
aumentar a capacidade de cobertura de vãos do material, utilizando
elementos de ferro forjado empregados na construção naval.
Uma das publicações imprescindíveis na época
era o livro de Fairbairn: On the Application of Cast and Wrought Iron
to building purposes (Da aplicação do ferro fundido e
forjado na construção).
Na metade
do século XIX, as colunas de ferro fundidas e trilhos de ferro
forjado, usadas junto com o envidraçamento modular, tornaram-se
técnica padrão da rápida pré-fabricação
de centros urbanos de distribuição: mercados, galerias.
A natureza pré-fabricada dos sistemas de ferro fundido garantia
a rapidez na montagem, a confecção de kits de edificações
nômades que começaram a ser até mesmo exportadas.
CONCRETO
ARMADO
O concreto
armado possuía uma série de vantagens. Era um material
plástico que permitia a produção em máquinas
e usinas, sendo depois utilizado em moldes. Era resistente ao fogo,
apresentava pequena mudança de volume quando submetido às
mudanças de temperatura, não necessitava de maiores cuidados
de manutenção, não apodrecia e podia ser um bom
isolante térmico. Por outro lado, tinha com desvantagens o fato
de ser pesado, encarecendo o transporte. Ele não constituía
um bom isolante acústico e não possuía aquela mobilidade
perseguida pelos arquitetos contemporâneos.
Assim como
a tecnologia do ferro foi desenvolvida a partir da exploração
da riqueza mineral da terra, a tecnologia do concreto, pelo menos do
cimento hidráulico, parece ter decorrido do tráfego marítimo.
Entretanto, a Inglaterra perderia a sua hegemonia para a França,
onde as restrições econômicas pós-revolução
de 1789, a síntese do cimento hidráulico por Vicat e a
tradição na construção Pisé (terra
pisada) geraram circunstâncias favoráveis para o desenvolvimento
do concreto. Françoise Coignet desenvolveu uma técnica
de reforçar o concreto com uma tela metálica, especializando-se
no concreto armado. O período de mais intenso desenvolvimento
do concreto armado foi entre 1870 e 1900 com trabalhos na Alemanha,
EUA e França. Um dos grandes personagens na difusão do
concreto armado em toda a Europa foi Hennebique. Sua firma havia se
transformado em uma grande companhia internacional, impulsionada pela
exposição universal de 1900 e a publicação
do livro Le béton armé. O arquiteto racionalista Anatole
de Baudot ficou muita admirado com os resultados das estruturas que
combinavam concreto armado com tijolos e suas lages planas reticuladas
e placas dobradas pareciam antecipar as obras do engenheiro italiano
Pier Luigi Nervi 50 anos após.
O engenheiro
e construtor Pier Luigi Nervi colocou em dúvida o fato de que
a ciência deveria se servir unicamente de processo analítico
de cálculos. Segundo ele, a intuição é a
forma mais alta de se expressar o espírito. Nervi procedia desenvolvendo
primeiramente uma forma, depois construía a maquete e só
depois submetia o seu modelo à provas de cálculo e peso.
Podemos considerar que os engenheiros também concebiam suas obras
assim como os artistas. "Existe para mim duas fontes de informação:
a percepção direta e a intuição, em qual
eu vejo a expressão e o resumo de todas as experiências
acumuladas pela vida no subconsciente. De fato, a intuição
é controlada pelo cálculo. Mas quando ela se encontra
em contradição com o resultado de um cálculo, eu
refaço o cálculo, e meus colaboradores me asseguram que,
no final das contas, é sempre o cálculo que injustiça".
Nervi desenvolveu
durante os anos de 1935 a 1943 imensos edifícios, por exemplo,
hangares de 100 metros de comprimento por 40 de largura que repousavam
sobre 6 pontos de apoio. Em suas construções poderiam
ser encontrados os seguintes elementos: vigas radiais, esqueletos estruturais
com pilares centrais, elementos pré-fabricados em ferro-cimento,
cascas em concreto armado e nervuras entrecruzadas. Nervi comenta: "Para
definir um bom organismo estrutural, ele deve explorar integralmente
as qualidades excepcionais e as possibilidades sem precedentes do ferro
e do concreto armado, que se adapta a esquemas estáticos espontâneos."
Foi através de uma preocupação não plástica,
mas econômica que Nervi liberou as formas mais rígidas
do concreto armado e as conduziu por uma nova via. Ele considerava as
formas de madeira um obstáculo ao viés econômico
e técnico, e assim direcionou suas pesquisas no desenvolvimento
no sistema de coberturas reticuladas de grandes vãos permitindo
a utilização de métodos antes impensáveis.
Nervi desenvolveu
ainda o ferro-cimento, um método que consistia em incorporar
treliças metálicas entre o concreto, suprimindo as fôrmas
de madeira, tornando possível a realização de cascas
estruturais. A noção de robustez e peso excessivo, que
parecia inseparável do concreto, se desprende dele. O pensamento
que se tinha de que o concreto seria completamente substituído
pelo aço, em razão da sua gama de possibilidades combinatórias,
não se efetiva. "É o melhor material que o homem
já encontrou. O fato de permitir a realização de
blocos de todas as formas, capazes de resistir a todos os tipos de pressões,
sustenta uma certa magia".
Até
1895, o uso do concreto armado nos EUA foi inibido pela sua dependência
do cimento importado na Europa. Em Paris, os irmãos Perret começaram
a projetar e construir as primeiras estruturas totalmente em concreto.
Nessa época, a estrutura de concreto armado se tornara uma técnica
normativa. A sua apropriação como elemento expressivo
primordial veio com a Maison Domino de Le Corbusier.
De 1910
a 1940, a maior parte das realizações arquitetônicas
em concreto armado será obra dos engenheiros. Em 1914, encontramos
em um catálogo de um construtor de carros a seguinte proposição:
"Nós construiremos casas transportáveis, que são
deixadas aos nossos cuidados por caminhão, prontas para serem
habitadas três dias após sua ordem. Elas são montadas
na usina, criadas em partes, transportadas em caminhões especiais
e simplesmente montadas no local de execução em três
horas. Ou ainda, segundo os desejos dos clientes, desmontadas no local
e depois transportadas para outro local. Essas habitações
se constituem de materiais duráveis: estrutura de madeira, paredes
duplas para controlar a variação de temperatura, cobertura
de aço, divisórias internas de aglomerado de madeira".
PLÁSTICO
Os materiais
plásticos invadiram a tal ponto nossa vida cotidiana que esse
material artificial tendia a eliminar todos os materiais naturais. Com
exceção na arquitetura onde as revoluções
são mais tímidas, o plástico encontrou uma aplicabilidade
sem fim nos meios utilitários e em todos os setores de componentes
e peças. As indústrias de materiais plásticos,
entretanto, se introduziram nas edificações não
por questão de isolamento, mas como fechamento, painéis
de fachada, divisórias, paredes translúcidas, painéis-sanduiches,
revestimentos de piso, elementos de coberturas. Os materiais plásticos
poderiam ajudar a revolução arquitetônica por sua
capacidade de realizar sua curvatura irregular sem montagem. Seu peso
mínimo permitia reduzir e simplificar as estruturas portantes.
Inoxidáveis, insensíveis às intempéries,
poderiam ser coloridas na fabricação evitando trabalhos
posteriores de pintura. Entretanto eram maus isolantes de calor e ruídos,
por serem perfeitamente herméticos. Os materiais plásticos
poderiam fazer mais bem à renovação do repertório
de formas arquitetônicas do que ao conforto do habitat. É
conveniente considerar que o primeiro protótipo de residência
totalmente desenvolvida em plástico é aquela que Ionel
Schein, Yves Magnant e Coulon apresentaram em Paris na Exposição
de artes dirigidas (arts ménagers - provavelmente o autor que
dizer artes - ofícios - aplicadas a uma determinada função),
em1956. Mas é possível citar algumas experiências
anteriores:
" Arquiteto francês P. Fayot, apresentou um projeto de uma
casa redonda em cloreto polivinílico.
" Shein-Magnant-Coulon: "Maison escargot" desenvolvida
em material plástico.
" Dietz, Heger et Mc Garry: 1957 nos Estados Unidos a Casa Monsanto:
pesquisador do MIT de Harvard em materiais plásticos.
" Inglaterra: Makowski estudou na Universidade de Surrey as estruturas
dobradas e as estruturas alveolares.
" Alemanha: Frei Otto - pesquisas conectadas com a utilização
de materiais plásticos.
" Itália: Renzo Piano - estudou as estruturas e seus princípios
elásticos sob pressão.
" Podemos mencionar, enfim, que os materiais plásticos reforçados
de fibra de vidro foram empregados em inúmeros pavilhões
na Exposição Universal de Montreal em 1967.
Resumindo
uma lista de novos materiais e espaços utilizados nesse período
temos: poliéster e plástico armados, painéis de
fachada, divisórias, paredes translúcidas, painéis-sanduiches,
revestimentos de piso, elementos de coberturas, materiais plásticos,
câmaras frigoríficas em materiais infláveis, tendas
pneumáticas, hangares de frutas com isolamento térmico.
Dentre os personagens marcantes ainda podemos citar: Shein-Magnant-Coulon,
Ionel Schein, Yves Magnant e Coulon, Surrey, Konrad Wachsmann nos EUA,
Makowski na Inglaterra, Frei Otto e Gunter Gunschell na Alemanha, Stéphane
du Chateau e D. G. Emmerich na França. F. Lanchester, Hans Walter
Muller, Bruno Schneider-Maunoury, André Vilder e Patrick Danan.