CIVILIZAÇÕES:
Egito e Mesopotâmia - clique
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estrutura da aula:
. características
locais
. relações formais x simbólicas
. métodos construtivos
. avanços na técnica construtiva
. análise dos templos
Arte e arquitetura nas civilizações egípcias
O território
egípcio pode ser dividido em Alto e Baixo Egito. É uma
região de vales localizados sob um clima de poucas variações,
temperado e de atmosfera seca e límpida, e assolada por um sol
muito forte.
Se analisarmos
o caráter das edificações da civilização
egípcia percebemos que a construção simbolizava
a recriação para o rei morto da vida que ele levava na
terra. Elas tinham um caráter predominantemente funerário.
As tumbas eram realizadas por motivos políticos e religiosos,
antes mesmo das necessidades naturais de sobrevivência. Nos seus
rituais de inumação, eles envolviam os corpos em esteiras
e os colocavam com a cabeça orientada para o quadrante sul. (prescrições
religiosas ao culto solar). A idéia primitiva da existência
de uma divindade e de uma vida após a morte é um fator
decisivo e marcante das obras de arquitetura egípcia. A idéia
de reencarnação da alma irá condicionar todas as
formas de desenvolvimento das construções. A exemplo dos
símbolo da serpente que morde a própria calda, podemos
encontrar símbolos diversos que trazem a idéias de vidas
sucessivas sem princípio nem fim. As principais divindades eram
retratadas na figura do Deus Sol (Rá = representado por um sol
alado) e Horus (o sol nascente). A doutrina esotérica egípcia
é baseada na ressurreição e no renascimento. Eram
extremamente preocupados com a orientação solar das edificações:
o que definia o posicionamento era fundamentado no conceito de "força
vital" emanada pelo sol, que deveria continuar a ser captada pelo
morto durante certos períodos do ano.
O processo
de mumificação pode ser entendido como sendo responsável
pela salvação da alma. Quanto aos edifícios funerários,
podemos hierarquizá-los primeiramente nas pirâmides e depois
nas mastabas.
Quanto
aos métodos construtivos, as paredes e os muros eram inclinados
em função da técnica do empilhamento. As principais
construções acompanham o Vale do Nilo. Existia um predomínio
da linha horizontais e desprezo pelas curvas. Eles nunca foram grande
carpinteiros, evitavam o andaime e escoramentos devido à escassez
e a má qualidade das madeiras da região. A pedra e a argila
se impuseram definitivamente sobre a madeira, somente utilizadas nos
andaimes. A pedra utilizada nos templos e nos túmulos era a pedra
de grés ou calcária. nas residências, nos palácios
e nas construções militares eram utilizados os tijolos
de argila misturados com palha e secos ao sol. Os tijolos eram unidos
por meio de argamassa de argila ou areia fina. Nunca foram cozidos,
mas eram usados apenas depois de completamente secos. Os ângulos
inclinados da alvenaria de tijolos eram conseguidos pelo assentamento
escaliforme das unidades. Os egípcios evitavam a construção
de andaimes. Nas grandes construções, como as pirâmides
e certos templos, os andaimes eram substituídos por enormes rampas
de terra ou tijolo que eram retiradas depois de pronta a obra. A pedra
era aparelhada somente na parte que era visível, e usada em vários
tamanhos conforme a necessidade estática. Às vezes utilizavam
monolitos de mais de 70 toneladas. A alvenaria de pedra era do tipo
"pedra seca". As fundações eram pouco profundas,
repousando sobre um compacto leito de areia.
Os arquitetos
egípcios solucionavam sérios problemas de estática
com o emprego de tijolos de barro, na construção de abóbadas
de berço ou cúpulas. Outro grande problema para eles era
o esforço de flexão sobre as vigas de pedra. Uma solução
encontrada foi o "falso engaste". A condição
ideal era buscada através da colocação de uma grande
carga distribuída sobre as vigas, na direção vertical
das paredes onde elas se apoiavam. O engastamento reduz as flechas provenientes
da flexão, o que se dá em virtude da anulação
dos momentos negativos sobre os apoios. As coberturas dos edifícios
eram planas e construídas com vigas de pedra dispostas horizontalmente
e que se apoiavam em colunas. As colunas podiam ser monólitos
ou constituídas de tambores monolíticos. A elevação
e o transporte das grandes massas de pedra, eram feitos com o emprego
de alavancas (ascensão) e de rampas (deslizamento). Os obeliscos
eram transportados através do Nilo, presos a duas ou mais barcas,
e mergulhados na água, o que reduzia consideravelmente o seu
peso.
De todas
as figuras geométricas, o triângulo foi o preferido do
Vale do Nilo, seja pelo fato de ser um polígono indeformável,
seja por ser "trino" (a trindade estava impressa em todos
os princípios se sua doutrina religiosa) o fato é que
eles empregaram largamente esta figura. Entre os triângulos, um
lhes chamou particularmente a atenção: o que exibia em
seus lados a relação três, quatro e cinco, e que
era portanto um trilátero retângulo. Esta figura deve ter
sido de grande importância, pois como sabemos, permite a construção
fácil e exata de linha perpendiculares, até pelo emprego
de uma simples corda. Na figura que se chama "regulador de proporções",
o cateto menor tripartido simbolizava Osiris, a base com quatro divisões
representava Isis e a hipotenusa fragmentada em cinco figurava Horus.
O perfil das abóbadas de tijolo era desenhado a compasso, com
três centros feitos sobre os três vértices de dois
destes triângulos geminados. Outro triângulo retângulo
possui a relação áurea - a hipotenusa e o menor
cateto guardam entre si a relação 1,618. Antes dos gregos,
os egípcios procuraram corrigir as ilusões de ótica,
oriundas das grandes fachadas horizontais onde existe a repetição
sistemática de elementos como por exemplo as colunas. Os gregos
compensavam a flecha aparente por uma curva inversa, segundo um plano
vertical, enquanto os egípcios a compensavam no sentido de um
plano horizontal.
"Nenhuma
arquitetura tem como esta a exata correspondência das massas,
ninguém sabe talvez, melhor sacrificar a realidade para obter
a aparência." Auguste Choisy
A arquitetura
deste povo é inegavelmente única em relação
às características plásticas. Nos túmulos
e templos, ela ostenta um caráter eminentemente grandioso, monumental,
rica, maciça e austera, com a predominância dos cheios
sobre os vazados, e possuidora de uma simetria rígida, que se
manifesta até na colocação dos monumentos exteriores
ao prédio, como os obeliscos, esfinges, mastros e estátuas.
Está perfeitamente enquadrada dentro da concepção
estática da forma estabelecida por Lúcio Costa, na qual
"a energia plástica do objeto, parece atraída por
um suposto núcleo vital."
A pirâmide
é um monumento tipicamente egípcio. Os seus primeiros
exemplares eram escaliformes. Os mais importantes destes monumentos
estão em Giseh, próximo do Cairo e foram erigidos durante
a IV dinastia (3.733-3.566 AC) por três reis Cheops, Quefrem e
Miquerinos. A preocupação de defender cada vez mais a
múmia da profanação dos vivos, fez com que as primitivas
mastabas se transformassem progressivamente nestes monumentos.
A Grande
Pirâmide, a de Quéops possui originalmente cerca de cento
e quarenta metros de altura e duzentos e trinta de lado e está
com suas faces voltadas para os quatro pontos cardeais. Foram empregados,
aproximadamente dois milhões e trezentos mil blocos de pedra
na sua construção. Possui apenas estreitas galerias para
o acesso às três câmaras funerárias e tubos
ventiladores. A mastaba era um tipo de túmulo que copiava fielmente
a casa de residência egípcia. Retangulares ou quadradas,
eram todas muito sólidas. Possuem três câmaras, sendo
a entrada da mortuária disfarçada. Os hipogeus são
sepulcros escavados na rocha. Compõem-se de um pórtico
que dá para a câmara de oferendas que por sua vez se liga
a câmara mortuária. Os templos egípcios não
eram utilizados para preces comuns ou rituais públicos, mas para
rituais misteriosos e desfiles sacerdotais. Possuíam, geralmente,
três partes distintas: um pátio parcialmente descoberto,
repleto de colunas, uma ante-sala hipostila e o recinto sagrado, proibido
ao povo.
O templo
era uma obra longa. Sua construção levava às vezes
centenas de anos para ser concluída. Outra característica
marcante nos templos do Vale do Nilo era a sua policromia interior.
Esses desenhos narravam de maneira singela a história do templo
e dos deuses em homenagem aos quais ele tinha sido construído,
a vida dos faraós e seus construtores, e das pessoas que colaboraram
para a sua realização. Os obeliscos eram pilastras decorativas
que serviam como marcos históricos. Compunham-se de um vasto
monólito, prismático de base quadrangular, que se pode
encontrar sempre aos par, nas entradas de alguns templos. A esfinge
era uma estátua situada à entrada da Grande Pirâmide,
e voltada para o oriente. É quase um monólito esculpido
em pedra viva. As residências privadas eram de alvenaria de tijolos
e teto plano com terraço; as janelas eram invariavelmente abertas
para um pátio ou jardim interno. As defesas militares eram construídas
em planaltos de quase vinte metros de altura. Eram edificados de tijolos
crus e as suas paredes atingiam dez metros de espessura e eram dotadas
de vigas e outros elementos estruturais embutidos na alvenaria.