Referências Bibliográficas:
. CURTIS,
Willian. Modern Architecture since 1900. 2a ed. Oxford: Phaidon Press,
1987.
. FRAMPTON, Kenneth. História Crítica da Arquitetura Moderna.
São Paulo: Martins Fontes, 1997.
. HARTOONIAN, George. Ontology of Construction. Cambridge: University
Press, 1994.
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A perda da linguagem clássica no séc XIX era tida como
inevitável para a arquitetura: a morte ao conceito tradicional de techné.
A modificação do conceito de "clássico"
na arquitetura tem origem no séc XVIII, com o desenvolvimento das ciências mecânicas
em Paris: Pont et Chaussé. No
séc XIX surge a moral funcionalista.
John Ruskin
e Willian Morris, críticos de arte e escritores ingleses, acreditavam que a mecanização
traria a degradação em todos os setores da vida. A busca
deles era evitar que a alienação crescente advinda do desenvolvimento
do capitalismo impactasse na cultura. A questão era: como evoluir numa cultura genuína
face aos aspectos mais brutos da produção em massa?
O Art Nouveau teve sua fase mais criativa entre 1893 e 1905. Foi na verdade o primeiro
estágio da arquitetura moderna na Europa, entendendo que esta "arquitetura moderna" implicava numa total rejeição dos
historicismos. Entretanto não podiam rejeitar a tradição
como um todo, já que a criação de novas formas
iria recair em algum ponto nas antigas. O Art Nouveau foi uma incorporação
de uma forte reação contra o Classicismo Beaux-Arts praticado
nos fins do séc. XIX, cconsituindo como um passo importante para uma emancipação
estilística da arquitetura moderna.
Victor
Horta, arquiteto belga, nasceu em 1861 em Ghent. Sua townhouse em Tassel (1892-93) é projeto que
revela uma busca pela síntese na arquitetura e nas artes
decorativas e uma declaração dos novos princípios
compositivos formais. Tem ênfase no uso do novo material (ferro) e
inspiração nas formas naturais, revelando interesse e empatia pelas
analogias orgânicas.
Antoni
Gaudi, arquiteto catalão, nascido em 1852, utilizava um modo Neo-Gótico de construção,
com inspiração direta na arquitetura medieval, e um senso estético em alguns casos bizarro. Fachadas
elaboradas com trabalho em ferro sob a forma de ondas, partindo de uma
abstração de formas medievais góticas e mediterrâneas
(faixas de tijolos e azulejos e abóbadas catalãs) eram comuns na arquitetura de Gaudi. Ele tinha
como pretensão desenvolver um estilo verdadeiramente catalão, e podemos perceber diverentes influências como nas toscas colunas dóricas gregas.
Na Sagrada Família foi convidado para continuar o trabalho de Francisco Del Villar que já havia realizado anteriormente a cripta segundo
protótipos góticos, assumindo o lugar de Juan Martorell. Linguagens fantasiosas, evocativas, anamórficas, surreais, reconciliação
do fantástico com o prático, subjetivo e cientifico, espiritual
e material; seu vocabulário era fundado num simbolismo elaborado
que teve origem no revival gótico de sua infância, através de metáforas
e associações.
Viollet-Le-Duc, arquiteto e
teórico francês, foi professor da Beaux
Arts em 1853, e escreveu Entretiens sur l´architecture em 1863,
com uma uma visão estruturalista dos componentes da arquitetura. Foi ele
o primeiro a perceber uma dualidade entre a forma e o conteúdo
(o todo e suas partes). Para Viollet-Le-Duc, a verdade da arquitetura
estava em algo entre a forma e a substância, entre a arquitetura
e a construção.
"Imaginem que um arquiteto do séc XX ou séc XXX pudesse
retornar aos nossos tempos e que tivesse que ser iniciado em nossas
idéias modernas. Se a ele fosse colocado a disposição
a industria moderna ele não iria construir um edifício
do tempo de Philip Augustus ou São Luis, porque isso seria falsificar
a primeira lei da arte: que ela deve se conformar com as necessidades
e costumes de seu tempo".
Viollet-le-duc foi um importante expoente
do Art Nouveau por ter encorajado a noção de um novo estilo
baseado na expressão direta das possibilidades construtivas de
novos materiais.
Ele sentia que o sec XIX deveria tentar formular seu próprio
estilo encontrando formas apropriadas para as novas condições
sociais, econômicas e técnicas.
Ele repensa a alvenaria tradicional a partir das possibilidades da estrutura
metálica. Ele encontra no Gótico um modelo para a arquitetura
do séc XIX, repensa o trabalho de carpintaria (ciment armé)
a partir das possibilidades oferecidas pela estrutura metálica
(earthwork e framework). Realiza uma promoção da estrutura
metálica, resgate e qualificação da nervura (Gótico),
um sistema de comportamento arquitetônico sustenta um modelo atual
(XIX).
Assim, Le-Duc abre campo para a arquitetura do séc XIX que estava até então baseada
nos modelos da Belas Artes ou no discurso do aço e vidro como o de Joseph Paxton no Palácio de Cristal. Ele faz parte de uma tradição
mais construcionista, ou estruturalista.
O Racionalismo encontra aqui um local de aplicação tanto teórica quanto prática. Incomodava aos arquitetos do Art Nouveau a inabilidade do séc XIX em encontrar seu próprio
estilo, acreditando que a resposta estava na criação de
formas verdadeiras com o programa e a estrutura. Viollet-Le-Duc influenciou
mais através de seu discurso do que de suas formas, estas que
se apresentavam como montagens de estilos passados com métodos
modernos, usualmente se referindo aos períodos medievais. Ele
se apresentava como uma contra-tendência dos excessos de escola
de Belas-Artes.