HISTÓRIA E TEORIA DA TECNOLOGIA NA ARQUITETURA
T E R R I T Ó R I O S . O R G ..

Este site apresenta textos introdutórios acerca da história e da teoria da arquitetura e do urbanismo, tendo como referência movimentos, grupos e períodos cuja ênfase prioritária tenha sido dada aos avanços arquiteturais possibilitados pelo desenvolvimento tecnológico e seus rebatimentos nos estilos de vida e produção de espaços.

TECNOLOGIA

do Gr. technologia < téchne, arte + lógos, tratado

. teoria geral e estudos especializados sobre os procedimentos, instrumentos e objectos próprios de qualquer técnica, arte ou ofício; . linguagem específica de uma arte ou ciência


 

conteúdos
trabalhos / intervenções
biblografia
textos
links

VEJA TAMBÉM -->
territorios.orgMRE-LTDAespaço parallelloUFES Projetos 1UFES Tecno 08
 

.... [ arquitetura e tecnologia ]
.... [ arquitetura primitiva - conceitos ]
.... [ arquitetura egípcia ] imgs
.... [ arquitetura grega ] imgs
.... [ arquitetura romana ] imgs
.... [ arquitetura árabe ] imgs
.... [ arquitetura românica ] imgs
.... [ arquitetura gótica ] imgs
.... [ o Renascimento ]
.... [ Piranesi ] imgs

.... [ Art Nouveau ] imgs
.... [ Arquitetura Futurista ]
.... [ Construtivismo Russo ] imgs
.... [ Influências da Engenharia ] imgs
.... [ Bauhaus ] imgs
.... [ Mies e Le Corbusier ]
.... [ Internacional Situacionista ] imgs
.... [ Archigram ] imgs
.... [ Metabolistas Japoneses ] imgs
.... [ Deconstrutivismo ] imgs
.... [ High Tech ]
.... [ Propriedades Mecânicas ] imgs
.... [ Bamboo ]

 

ARCHIGRAM - clique aqui para ver as imagens

Antecedentes:

Processo de revisão formal contra o ressurgimento de muitos princípios do Movimento Moderno. Economicamente, um período de prosperidade e desenvolvimento dos países capitalistas. Inseridos em um contexto cultural de chegada do homem à lua, gerando propostas fantasiosas de arquitetura sobre o mar e cósmica.
Surgimento de novos instrumentos tecnológicos: calibradores, túneis de vento, que aproximam aos métodos da indústria naval, aeronáutica.
Completamente inserido na cultura pop e crítica à sociedade de consumo

Principais Arquitetos:

. Cedric Price, Micheal Webb e Peter Cook, Dennis Crompton, Warren Chalk, Ron Herron.

Publicações:

. Edição da revista Archigram (1961-70): divulgar novas imagens tecnológicas, projetos radicais, mesmo irrealizáveis. Forte referência para a arquitetura contemporânea. Archigram oferece uma nova visão da cidade do futuro. Uma visão utopista, sob forma de uma rede de protestos.
.Em 1966 publicam Pra lá de Arquitetura, com uma conduta anti-monumental e com a idéia de cidade viva. Desenvolviam projetos de intervenção para a cidade de Londres. Foram até mesmo chamado de fascistas, uma vez que seus projetos se assemelhavam a máquinas de guerra, totalitários. A idéia equivalia a uma rejeição da arquitetura convencional. Eram considerados a vanguarda britânica arquitetônica, e propunham o lançamento e desenvolvimento de novas atitudes em relação a vida numa civilização industrial avançada. Forte confiança numa racionalização tecnológica

Contexto político:

. O contexto da época era de virada política: estudantes emergindo como classe polêmica, ultrapassando os mais antigos em engenho e criatividade.
. Independent Group: futurismo+cultura do consumo+cibernética+ciência e ficção+automóvel+publicidade+cinema+interdisciplinaridade. Posição de reflexão com relação à experiência da guerra.

O nome Archigram foi pensado como metáfora de um telegrama direcionado aos problemas da cultura da época. O grupo se considerava uma válvula de escape para o pensamento. Seu posicionamento era de oposição à perspectiva de estaticidade, defendendo a criação dialética, a liberdade pessoal, o ambiente flexível e os desejos individuais. Pressuposição de um cenário humano a ser modificado drasticamente, desde elementos do cotidiano, até estrutura dos edifícios.

Características Conceituais:

. ACTION ARCHITECTURE: instância definidora dos fatos, eventos, ocorrências, fluxos. Aquilo que age, acontece, diferente de "dentro do qual". Arquitetura = Ação, não como tradução de uma idéia, mas como fato.
. Tentativa de acabar com o valor da arquitetura como forma, introduzindo noções novas e revolucionárias, rompendo com a idéia construcionista.
Delleuze: persistência, consistência e insistência. Sufixos de corporeidade da existência, adequados aos conceitos de Archigram
. Perspectiva da irrealizabilidade - não construtividade como garantia de força crítica ao trabalho.
Relações com a Arte Conceitual: proposições críticas como crítica dela mesma
. Conceito de sociedade nômade: a casa é um aparelho a levar consigo e a cidade uma máquina à qual nos plugamos.
. Arquitetura que parte de uma imitação superficial, evocativa, formalista, epidérmica e mimética do mundo da ciência e da tecnologia e da interpretação das leis da engenharia, do profundo conhecimento cientifico e experimental das reais possibilidades dos novos materiais e tecnologias. A arquitetura deveria abandonar seu reduto artístico, artesanal e histórico e entrar no mundo da produção industrial.

Para eles, a realização dos desejos dependeria somente da tecnologia; sistemas, organizações e técnicas que proporcionariam boa qualidade de vida. O grupo também chegou a propor habitações aéreas, que seriam completamente flexíveis, uma combinação de não-casas com um satélite insuflável. Os elementos poderiam ser alterados: parede, revestimentos e telhado. As análises envolviam conceitos de condições abertas, dependentes dos desejos individuais.

. Oferecem uma nova visão da cidade do futuro, sob a forma de protestos, rejeitando a arquitetura convencional. Novo posicionamento frente à quase sempre recorrente civilização industrial avançada. Imaginavam a utilização da tecnologia aplicada inadvertidamente nas casas.

. anti-monumentalidade e cidade-viva (perecível, móvel). Oposição à estaticidade, defendendo a criação dialética, a liberdade pessoal, ambientes flexíveis e os desejos individuais. Crítica ao caráter imediatista dos produtos urbanos. Realização dos desejos dependeria somente da tecnologia (sistemas, organizações) aplicada em função dos desejos individuais. Fluxo, movimento, perecibilidade, metamorfose, mudança, promoção da possibilidade de escolha, liberdade, emancipação individual.

 

. Proposição neofuncionalista, desenvolvimento hedonista (doutrina que considera que o prazer individual e imediato é o único bem possível, princípio e fim da vida moral) de fantasias próprias de um sonho tecnológico.

. Confiança numa racionalidade intrínseca ao mundo da tecnologia e ciência (solução de todos e quaisquer problemas). Técnicas comunicacionais + utopias tecnocráticas. Continuidade das propostas radicais de Fuller.
. Influência dos Futuristas italianos: tentativa de recuperar o espírito pioneiro e rupturista.

. Busca de um novo idioma formal. Algo que aproxime com cápsulas espaciais, computadores. Arquitetura como um KIT, pecas transportáveis. David Greene propõe diversas soluções para moradias em cápsulas. As células habitáveis poderia ser transportadas e conectadas em diversas mega estruturas. Propostas para um futuro baseado na constante mobilidade de pessoas.

. "A arquitetura como produto do consumidor|| descartável, intercambiável, como qualquer objeto de consumo". Insatisfação com a moradia da época.
. segunda metade do séc. XX: quebra de mitos, antigos preceitos irrelevantes, dogmas sem validez.

Características Formais:

. No que diz respeito aos projetos, a estrutura externa assemelhava-se à uma pele em erupção: um sistema inclinado de painéis que deveriam moldar e refletir a luz, compostos por estruturas espaciais e tubos. Ficou conhecido como bird cage. Eles acabariam com o fechamento, com a noção de monumentalidade. Imaginavam a utilização de toda tecnologia moderna sendo aplicada nas casas.

Sua linguagem arquitetônica se baseava na circulação e no movimento, na tentativa de libertar o homem das categorias do passado, de escapar da forma, gerar uma não- arquitetura, mudando o estado social conservador mais através de um riso crítico do que de uma revolução.

Principais Projetos:

. The Living City: critica o caráter imediatista dos produtos urbanos. A cidade era vista não como arquitetura, mas sim como as pessoas, e suas situações. São situações infinitamente variáveis e transitórias que constituem a verdadeira vida das cidades. Circulação como geradora de forma. Encaram a cidade como sendo perecível, móvel, locomotora, com seus kits e componentes. Siegfried Giedion achava que era uma concepção inumana da cidade do futuro, que desprezava seus habitantes, contrários aos pensamentos de Le Corbusier que tinha acabado de morrer em 1963.


. Momment Village e Instant City: podiam ser montados em qualquer sítio de superfície terrestre e se baseavam no conceito de pessoas nômades. Segundo a filosofia do grupo inglês, o importante seria a realização de uma arquitetura ativa; é isso que realmente nos interessa - procurar afinar ao máximo o seu poder e capacidade de resposta do máximo possível de situações potenciais. Essa filosofia move-se coerentemente entre idéias como: fluxo, movimento, perecibilidade, metamorfose, mudança, promoção da possibilidade de escolha, liberdade, emancipação individual.

. Plug-in-Vilage: cidade encaixável.

. Walking-City: cidades móveis com pés telescópicos, se moveriam sobre a água. As moving-cities se tornam realidade nas plataformas de petróleo.
. Cushicle (Michael Webb): mistura de carro + tenda + trailer.
. Suitaloon: (Michael Webb): casa vestido (influência da ciência e ficção) tendência ao nomadismo na vida humana.

______________________________________________________

Bibliografia:

. DUARTE, Fábio. Arquitetura e Tecnologias de Informação. Da Revolução Inustrial à Revolução Digital. São Paulo: ed FAPESP, 1999.
. CURTIS, William. Modern Architecture since 1900. Oxford: Phaidon Press, 1987.
. JENCKS, Charles.Movimentos Modernos em Arquitetura. Lisboa, Portugal: Edições 70, 1985