HISTÓRIA E TEORIA DA TECNOLOGIA NA ARQUITETURA
T E R R I T Ó R I O S . O R G ..

Este site apresenta textos introdutórios acerca da história e da teoria da arquitetura e do urbanismo, tendo como referência movimentos, grupos e períodos cuja ênfase prioritária tenha sido dada aos avanços arquiteturais possibilitados pelo desenvolvimento tecnológico e seus rebatimentos nos estilos de vida e produção de espaços.

TECNOLOGIA

do Gr. technologia < téchne, arte + lógos, tratado

. teoria geral e estudos especializados sobre os procedimentos, instrumentos e objectos próprios de qualquer técnica, arte ou ofício; . linguagem específica de uma arte ou ciência


 

conteúdos
trabalhos / intervenções
biblografia
textos
links

VEJA TAMBÉM -->
territorios.orgMRE-LTDAespaço parallelloUFES Projetos 1UFES Tecno 08
 

.... [ arquitetura e tecnologia ]
.... [ arquitetura primitiva - conceitos ]
.... [ arquitetura egípcia ] imgs
.... [ arquitetura grega ] imgs
.... [ arquitetura romana ] imgs
.... [ arquitetura árabe ] imgs
.... [ arquitetura românica ] imgs
.... [ arquitetura gótica ] imgs
.... [ o Renascimento ]
.... [ Piranesi ] imgs

.... [ Art Nouveau ] imgs
.... [ Arquitetura Futurista ]
.... [ Construtivismo Russo ] imgs
.... [ Influências da Engenharia ] imgs
.... [ Bauhaus ] imgs
.... [ Mies e Le Corbusier ]
.... [ Internacional Situacionista ] imgs
.... [ Archigram ] imgs
.... [ Metabolistas Japoneses ] imgs
.... [ Deconstrutivismo ] imgs
.... [ High Tech ]
.... [ Propriedades Mecânicas ] imgs
.... [ Bamboo ]

ARQUITETURA DECONSTRUTIVISTA - clique aqui para ver as imagens


A denominação Deconstrutivista surgiu a partir de uma exposição realizada no MOMA em 1988 em Nova York que reuniu uma confluência de alguns poucos trabalhos que apresentavam uma aproximação de formas similares. Esta exposição foi organizada por Marc Wigley e Philip Johnson, e incluia nomes como Rem Koolhaas, Peter Eisenman, Coop Himmelblau, Danie Libeskind, entre outros. Da mesma forma, exposições como a "Modern Architecture" realizada em 1932 consumou arquitetos como Gropius, Le Curbosier, Mies como heróis que profetizaram o Estilo Internacional para substituir os estilos românticos do cinqüentenário prévio. As considerações aqui realizadas tomam como base o catálogo da exposição organizado por Marc Wigey "Deconstructivist Architecture" (1988).

Inserido no ideal do decostrutivismo, nenhuma forma vem de um lugar neutro. Elas estão sempre relacionadas com outras formas prévias. Por isso, não é estranho que as novas formas apresentadas pelos arquitetos do deconstrutivismo, remontam ao Costrutivismo Russo, movimento artístico-político realizado na Rússia no início do séc. XX Podemos visuamente estabelecer paralelos entre Vladimir Tatlin e Zaha Hadid, entre Rodchenko e Coop Himmelblau ou Frank Ghery. O que salta aos olhos segundo o autor do catálogo é o "contraste entre as imagens embrulhadas do deconstrutivismo e as puras do International Style".

A pureza geométrica aparente neste último, denunciam formas onde a estabilidade e desordem tinham sido excluídas, formas sem conflitos, cuja estabilidade estrutural fora trazida pela pureza, pela harmonia, alimentadas por ideais de unidade e estabilidade.

A arquitetura deconstrutivista apresenta-se como uma ameaça aos valores formais, portadora de uma sensibilidade diferente, na qual o sonho de uma forma pura é radicalmente quebrado. "O sonho que se torna pesadelo". Os projetos visam perturbar nosso pensamento a respeito da forma arquitetural. No entanto, eles não podem ser considerados a aplicação da teoria deconstrutivista. Mais que isso, eles emergem de dentro, de uma tradução de valores arquitetônicos. Em algumas situações hoje eles podem ser mal compreendidos, associados a uma demolição ou a uma dissimulação. Mas não é disso que se trata.

Os projetos ganham
sua força desafiando os valores de harmonia, unidade e estabilidade, propondo ao invés disso uma visão diferente da estrutura: admitindo suas fendas, brechas, como algo intrínseco a elas. "O arquiteto não é um desmembrador de edifícios, mas alguém que localiza dilemas inerentes às construções, coloca as formas puras no córner e identifica os sintomas de uma impureza reprimida". Empregam estratégias formais desenvolvidas pela vanguarda Russa do começo do século XX: a estratégia da forma interrogada, "cuja impureza é tirada da superfície combinando-se um carinho gentil com uma violenta tortura".

O Construtivismo Russo foi um ponto de virada crítica. A tradição arquitetônica foi curvada tão radicalmente que uma fissura se abriu. Novas possibilidades arquitetônicas surgiram pela primeira vez. O pensamento tradicional com relação a natureza do objeto arquitetônico foi colocada em xeque. A vanguarda russa ameaçou a tradição quebrando as regras clássicas de composição, formas puras eram usadas para se produzir impuras, desviadas, composições a-geométricas. Com o deconstruivismo a cicatriz foi reaberta.

Referências como Tatlin e Malevich, que alavancou o Suprematismo, especulavam novas soluções geométricas colocando formas simples em conflito, em momento instáveis, sem descanso. Não haviam eixos únicos nem hierarquia de formas, mas situações conflitantes. Ao longo da Revolução Russa de 1917, a arquitetura era vista como uma forma de agitação popular assim como a arte, e que poderia ser usada para avançar objetivos revolucionários. A revolução social se torna assim paralelamente uma revolução arquitetural. Utilizavam de instrumentos pré-revolucionários como base conceitual para estruturas edificantes radicais. Um exemplo, o Monumento da 3a Internacional de Tatlin, que parecia anunciar a revolução numa solução de arquitetura, elementos geométricos puros enroscados numa malha metálica.

Embora muita especulação tenha sido feita no que tange questões formais, a tradução do croqui para o design final nem sempre era levada a cabo pelo menos na arquitetura construtivista. Nos croquis as linhas e cabos se quebram e o volume básico se distorce, mas na etapa final dos projetos os volumes são purificados, se tornam suaves, clássicos. A verdadeira instabilidade apenas se desenvolve naquilo que era tratado como art marginal, ou seja sets de teatro, decorações de rua, tipografias, fotomontagens, roupas, etc.

Os conceitos pré-revolucionários não foram esquecidos nos projetos, mas apenas não se tinha pensado como associá-los às possibilidades estruturais da época. As tentativas mais bem sucedidas ocorriam nos meandros das artes.

O projeto radical das vanguardas russas foi falho quando refletimos seu rebatimento ideológico nas formas da sua arquitetura produzida. O movimento sucumbiu com o desenvolvimento da arquitetura pura do movimento moderno e sua tentativa bem sucedida de purificar a arquitetura retirando-se o ornamento da tradição clássica e revelando a pureza da estrutura funcional. O movimento moderno tinha uma obsessão pela estética funcionalista. Mas ao invés de usarem as necessidades específicas do programa funcional para gerar a ordem básica dos projetos, eles apenas manipulavam a superfície de formas puras geométricas de uma maneira que aludisse ao conceito geral da função. Ou seja, articulavam a superfície de uma forma arquitetônica de maneira a marcá-la com a pureza, mas apenas substituíram o invólucro clássico por um moderno, sem transformar a condição fundamental do objeto arquitetônico. A arquitetura permaneceu estável.

Os projetos deconstrutivistas exploram a relação entre instabilidade da vanguarda russa e a estabilidade do modernismo, casando a estética do modernismo com a geometria do trabalho pré-revolucionário.

 

 
 
 

Discutem possibilidades de superação da frieza oculta do International Style e as formas conflitantes da vanguarda russa. Segundo eles. os russos descobriram configurações geométricas que podiam ser usadas para desestabilizar estruturas formais. Os projetos deconstrutivistas ganham força empregando estas formas conflitantes, subvertendo a mais fundamental das tradições arquitetônicas.

Os projetos deconstrutivistas se constituem como um desvio do construtivismo, eles tiram partido dos eventos que marcaram os anos entre 1918-1920 onde designs arquitetônicos eram propostos, as mesmas formas puras eram distorcidas e a condição tradicional do objeto arquitetônico é incomodada.

O incômodo não é resultado de uma violência externa, não é uma fratura, ou um corte, ou fragmentação. "Incomodar a forma pelo seu exterior não é ameaça-la, apenas machucá-la. O dano produz um efeito decorativo, uma estética do perigo". Ao invés disso, o deconstrutivismo perturba figuras pelo interior. Isso não significa que geometrias contorcidas se tornaram algum tipo de decoração. O distúrbio interno na verdade deve ser incorporado na construção, na estrutura interna, como se um parasita tivesse infectado a forma distorcendo-a de dentro para fora.

A forma se distorce dela mesma, mas essa distorção não a destrói. Ela de alguma maneira permanece intacta. É uma arquitetura de deslocamentos, distorções, rupturas, mais do que demolição, decomposição e desintegração. De alguma maneira, a forma sobrevive a essas torturas. Torna-se uma icógnita saber o que veio primeiro, a forma ou a distorção, o parasita ou o hospedeiro. Não existe um limite onde a forma perfeita termina e as imperfeições começam. Para remover o parasita, somente matando o hospedeiro. Tudo isso produz ansiedade, inquietude, desafiando o senso de estabilidade, de coerência que convencionamos associar com as formas puras.

Esse senso de deslocamento não acontece apenas no aspecto formal. Ocorre também entre forma e contexto. "O contextualismo tem sido usado como uma desculpa para a mediocridade". Os projetos deconstrutiistas não ignoram contexto, não são anti-contextuais, mas fazem intervenções específicas, buscando o não familiar. Através da sua intervenção, elementos do contexto se desfamiliarizam.

Um estranhamento emana diante da ruptura da forma e da ruptura do contexto, a relação entre interior e exterior é também rompida, já que e forma não divide mais o dentro e o fora. Não existem janelas simples pontuando uma parede sólida. Toda a condição de fechamentos é retrabalhada.

O deconstrutivismo não constitui uma vanguarda, mas mostra a outra face da tradição, o choque pelo antigo. Ele explora a fraqueza da tradição, mais do que substituí-la. Não abandona a tradição, tenta ocupar o centro da tradição de maneira a demonstrar que arquitetura está sempre infectada, e que as formas puras estarão sempre sendo contaminadas. Os projetos exibidos no catálogo não são uma projeção do futuro nem tampouco uma lembrança do passado. Tenta chegar sob a pele da tradição atual, fazendo a crítica de dentro para fora.

A arquitetura deconstrutivista localiza os limites, acha novos territórios com as formas antigas. Os projetos trabalham com a alma dos edifícios, embora todos se preocupem com a execução, o ato, a construção. edificar.

Os questionamentos de formas puras empurra a estrutura até os seus limites, mas não além. A estrutura é sacudida mas não até o colapso apenas até o ponto onde ela fica perturbada. Os edifícios são extremamente sólidos, mas uma solidez não familiar, elevando nosso senso de estrutura. O deslocamento da estrutura causa um deslocamento de função.

Na arquitetura deconstrutivista a ruptura das formas puras promove uma complexidade dinâmica das condições locais que é mais congruente com a complexidade funcional. As formas são perturbadas e só depois é dado um esquema funcional.

Forma segue função X Forma segue deformação

Apesar de questionar as idéias tradicionais de estrutura e o funcionalismo retórico do modernismo cada projeto é rigorosamente estrutural e funcional. Existe comprometimento com o edifício.

"Os arquitetos têm que deixar de lado as completas abstrações e se confrontar com a materialidade dos objetos construídos. O trabalho crítico só pode ser feito na construção; o edifício se torna uma crítica teórica. Teóricos são forçados às teorias santuárias. Os projetos são carregados de teoria. As proposições tomam forma nos objetos mais do que na abstração verbal".

"Os projetos podem ser analisados mais estritamente sob aspectos formais, porque a condição formal carrega toda a força ideológica. O deconstrutivimo não é um estilo, é um ponto de interseção no programa dos arquitetos. O episódio será curto, não é um novo estilo mas os projetos apenas compartilham sua estética, exploram o potencial obscuro do modernismo. O que ocorre são discussões a respeito de harmonia, estabilidade e unidade. Não é uma forma de expressionismo, o discurso é sobre forma e não sobre consciência. Uma arquitetura que desliza entre o conhecido e o desconhecido. A forma se auto-distorce para se auto-revelar nova".