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1) Ecologias de Projeto: métodos e processos

Há em curso um processo acelerado de informatização dos meios técnicos e dos modos de reflexão e ação projetual. O processo de projeto contemporâneo tem adotado métodos e recursos operacionais complexos para conceber e construir soluções arquitetônicas de alto potencial de integração com os sistemas naturais. Sejam estas soluções compactas ou de escala urbana, a fabricação digital, os sistemas interativos, a robótica e os processos paramétricos vêm criando condições para um diálogo mais coerente das estruturas artificiais com os sistemas naturais. Muitas são as áreas do pensamento e do projeto de arquitetura e design que são contempladas pela evolução dos sistemas computacionais e a fabricação digital, como o design de superfícies, o projeto de estruturas e coberturas paramétricas complexas, a construção rápida e segura de habitações permanentes e abrigos temporários, sistemas autônomos e responsivos nas edificações, e até mesmo plataformas interativas móveis de gestão urbana. Este projeto de pesquisa recorre aos fundamentos da teoria dos sistemas e redes, da cibernética, da complexidade e da computação para desenvolver pesquisas que nos permitam avançar no desenvolvimento de soluções melhores na interação entre humanos, ambientes naturais e sistemas artificiais. Visa oferecer à sociedade um conjunto de conceitos, referências e soluções de projeto para o que consideramos ser uma tendência irreversível do pensamento projetual: a combinação entre a crescente complexidade dos problemas de projeto, a urgência em enfrentar questões ecológicas e sustentáveis, e a necessidade de utilização de técnicas digitais em todas as etapas do projeto como instrumento de análise e tomada de decisão.

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2) Design, computação e fabricação digital: sistemas interativos de uso urbano

Dentro da área de concentração Projetos e Tecnologia em Arquitetura e Urbanismo, este projeto busca dar continuidade aos importantes avanços obtidos no Projeto de Pesquisa “Integrando a fabricação digital com processos de projeto centrados-na-ação” que vem sendo realizado no Grupo de Estudos Experimentais de Software e Hardware do Grupo de Pesquisas Conexão VIX desde 2012. Com o importante auxílio de verbas de pesquisa o grupo desenvolve projetos experimentais nas áreas de robótica, design de interfaces e sistemas interativos voltados para a melhoria da qualidade de vida das populações e do meio ambiente natural e social do Espírito Santo. Este projeto de pesquisa propõe dar continuidade a este novo modelo de aprendizado e desenvolvimento de projetos de caráter ascendente, democrático, participativo, articulado com a crescente cultura maker, com processos de fabricação digital, hacklabs e fablabs, e que hoje vêm configurando uma nova alternativa para o exercício profissional e a formação da cidadania por parte de seus integrantes e da comunidade. Esta alternativa permite a produção de espaços, objetos e sistemas de modo compartilhado, opensource e colaborativo, além da produção de protótipos de alta qualidade e performance em ambientes relativamente compactos de pesquisa e investigação tecnológica.

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Open Design

O Open Design reúne um conjunto de procedimentos que busca tornar o processo de projeto mais colaborativo, permitindo que o conhecimento projetual e as técnicas de fabricação ocorram de maneira mais democratizada e de forma compartilhada. As práticas Open Source podem ser pensadas como parte de um movimento que defende a ideia de que dados informacionais podem e devem ser utilizados, alterados e redistribuídos por qualquer pessoa.

Cidades Inteligentes

A tecnologia digital é uma das bases de fenômeno bastante em voga: as cidades inteligentes, em geral, associadas à expectativa de melhor qualidade de vida e serviços públicos (CUNHA et al., 2016). Há, contudo, uma divergência na compreensão e classificação do que de fato são as cidades inteligentes e o que esse conceito contempla. Nessa perspectiva, pergunta-se: a quem interessa construir as cidades inteligentes? Quem de fato beneficia-se com tal modelo?

Design Emergencial

São inúmeras às vezes em que a trajetória histórica do mundo passou por condições ameaçadoras e requisitou ao ser humano ações emergenciais para sobreviver a tais crises. Deste arranjo de situações de extrema fragilidade e vulnerabilidade surgiu o design emergencial, uma metodologia específica de ação encontrada para gerar projetos, planos e soluções como resposta para calamidades.

Sistemas Ecológicos

Reunem o estudo de métodos, processos e soluções projetuais a partir de um enfoque que leva em consideração a crescente e irreversível informatização e compartilhamento do conhecimento, além da prioridade por ações de caráter ambiental. Envolve temas como rede, complexidade, cooperação, interdependência, reutilização de espaços e objetos, do-it-yourself, sustentabilidade.


Aprender Fazendo

A inteligência projetual contemporânea opera sobre um campo ampliado de possibilidades processuais, metodológicas, impulsionadas pelos múltiplos recursos de software, hardware e pelo desdobramentos tecnológicos da cultura digital. Acreditamos que a produção do conhecimento projetual e o posicionamento de arquitetos diante de situações-problema complexas demanda uma tática de hibridação contínua entre reflexão e ação, pensamento e prática, concepção e prototipagem.

Nossa visão do projeto e da pesquisa

Tanto o projeto e a pesquisa são vistos como processos centrados-na-ação, metodologia dedicada à produção de conhecimentos a partir de um enfrentamento constante entre idealização e experimentação. Neste sentido, projeto e pesquisa estão intimamente vinculados e agem de modo complementar e interdependente. Para dar suporte às reflexões processuais é essencial territorializar o pensamento em protótipos experimentais passíveis de teste, sejam eles objetos físicos construídos com tecnologia de fabricação digital, ou ainda interfaces interativas elaboradas com repertórios de programação e código.

As redes digitais de computadores constituem o suporte operacional para a inteligência coletiva. Seja em um processo de projeto ou no desenvolvimento de uma pesquisa, os ciclos contínuos de reflexão-e-ação não ocorrem apenas no âmbito particular do arquiteto, mas pode transitar por toda a rede e a partir dela se reorganizar e evoluir. Entendemos que o pensamento contemporâneo é socialmente distribuído. Ele é formado por um coletivo pensante dinâmico povoado por singularidades sincronizadas, algo que Pierre Lévy define como um ecologia cognitiva.

A noção de ecologia cognitica busca por em evidência esse modelo de cooperação, proximidade, interdependência, que permite o compartilhamento de idéias, estruturas-base, propostas e iniciativas de ação. As redes digitais são os suportes essenciais da ecologia cognitiva e, portanto, essenciais para uma forma renovada de reflexão-e-ação no mundo atual.


Referências

Nossas idéias e ações estão alinhadas com os princípios metodológicos da reflexão-em-ação apresentados por Donald Schön, ao pensamento nômade que se refaz a todo instante das reflexões Gilles Deleuze, ao campo relacional da ecologia cognitiva abordada em Pierre Lévy, ao ecossistema artístico da pós-produção inscrito nas obras de Nicholas Bourriaud, à liberdade e hibridismo tático das práticas ad hoc tratadas em Charles Jencks e Nathan Silver, aos riscos criativos e performáticos da arte do jazz modal fundidas na obra de Miles Davis, ao conhecimento mútuo e compartilhado presentes no pensamento de Anthony Giddens, acompanhado pelas inspiradoras considerações de Bergson sobre o conhecimento intuitivo, atualizados nas correntes de pensamento tecnológico do código-aberto, das práticas do-it-yourself, pelo improvisação conectada à inovação, alimentadas pela inteligência distribuída, ecologias cognitivas e lógicas paramétricas.

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Colaboradores

  • Prof. Dr. Bruno Massara Rocha (Coordenador)
  • Prof. Dr. Milton Esteves (UFES), Prof. Dr. Jarryer de Martino (UFES), Profa. Dra. Marcela Almeida (UFES), Prof. Dr. Nelson Porto (UFES), Prof. Dr. Marcelo Maia (UFMG), Prof. Dr. Daniel Ribeiro (UFC), Prof. Dr. Waldemar Zaidler (SP), Prof. Msc. Camilo Lima; Msc. Katherine Athié; Msc. Flávia Pulcheri (em andamento); Msc. Ivan Ulises (em andamento), Msc. Michelli Gonçalves (em andamento);
  • Ygor Steiner, Raquel Celestino, Luisa Franklin, Flávia Cury, Gabriele Roriz, Kevyn Bartolotti, Elena Dantas (Iniciação Científica);
  • Naomy Rosa (Monitoria);
  • Já passaram por aqui: Tayná Moreschi, João Pedro Furtado, Paulo Henrique Calenzani, Luayza Perim, Eliz Modolo, Leonardo Valbão, Lorenzo Accarino, Lucas Samu, Arthur Pizetta, Mário Margotto, Victor Malheiros, Caio Muniz, Pedro Perini, Sara Lauwers, Isabella Galimberti, Kiany Silva.

Pra refletir

"Sou mais favorável à vitalidade desordenada do que à unidade óbvia."

Robert Venturi - Complexidade e Contradição em Arquitetura